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Publicado em 11/09/20 às 07:36:00

A morte silenciosa dos rios do Cerrado - Parte II

A cada dia menos água no leito dos rios.

A morte silenciosa dos rios do Cerrado - Parte II
Rio do Peixe II - Bacia do Araguaia - Foto André Monteiro

 

Altair Sales Barbosa

Dr. em Antropologia e Geociências

Smithsonian Institution de Washington DC. USA

Pesquisador do CNPq.

Membro Titular do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás

Estudos de estratigrafia e sedimentologia, apoiados em diversas datações radiométricas tem demonstrado que o padrão climático, com uma estação seca e outra chuvosa, tem operado nos chapadões centrais da América do Sul, área ocupada por cerrado desde pelo menos 45 milhões de anos.

Do final do Pleistoceno e inicio do Holoceno, quando populações humanas já ocupavam as grutas e cavernas existentes no cerrado, a estratigrafia mostra de forma clara essa  oscilação, sendo a estação chuvosa demonstrada por camadas claras e a estação seca explicitada por sedimentos escuros.  Este padrão é tão evidente, que não deixa dúvidas quanto a sua existência pretérita.                                                                                                                                           

 Portanto o discurso da diminuição da vazão dos rios associado a mudanças climáticas, não passa de uma falácia.

Não é preciso ser especialista para enxergar o prejuízo irreversível causado nas áreas do cerrado, basta acessar uma imagem de satélite da região, para  constatar grandes quadrículas nos interflúvios com monoculturas e grandes círculos desmarcados pela irrigação de pivôs. Os motores que fazem funcionar  as máquinas da irrigação são tão possantes que são necessárias baterias de motores auxiliares, para coloca-los em operação. Quando este complexo começa a funcionar os rios sofrem impactos gigantescos, alguns param totalmente do ponto de captação para baixo. Pensem., Se  fossemos animais   aquáticos o que fariamos? E, se fossemos população ribeirinha, vivendo da produção familiar, ou se vivêssemos em alguma cidade ou povoado abaixo destes sistemas, qual seria a nossa reação?

Com relação aos animais a resposta é fácil, mas com relação aos humanos a resposta é difícil, pois os humanos agem muitas vezes por interesses individuais, as vezes tem conhecimento  dos problemas porém,  pode lhes faltar a consciência, elemento fundamental que o transforma em cidadão e o faz agir coletivamente, ou seja, em benefício da coletividade. Muitos,  sentem medo de lutar contra os lobos, - . os donos do capital, mal sabendo, que estes já lhe tiraram quase tudo, os ideais, o bem-estar, os amigos, falta apenas lhes tirarem a alma, se é  que  isto já não aconteceu. Seria bom neste momento indagar: Em que aurora se escondem e como esperam o  amanhecer?

Já escrevi centenas de artigos sobre o assunto, falando sobre as consequências da retirada da cobertura vegetal nativa, dos aquíferos, do futuro das águas. E chamando atenção para as consequências que virão em breve, se este modelo predatório de relação com o território continuar.

Quase nada teve  ressonância, um outro idealista ou grupo de idealistas empenha a bandeira da construção de um futuro melhor, mas diante de tanto poder só  encontram ao final da luta uma espécie de cadáver no calabouço. E, o entusiasmo que o impulsiona, qual uma luz de candeia, vai apagando pouco a pouco.

 

Nunca entendi a voracidade da ganância dos grandes empresários rurais, muitos dos quais nem conhecem a região, mas suas ações  aniquilam tudo. Não tem compromisso com o estado nem  com as futuras gerações. Por isso, menos ainda entendo a ação dos políticos e de alguns advogados nacionais, que com unhas e dentes protegem esses exterminadores e provocadores de entropias ambientais e sociais. Serão cegos? Mal intencionados?  Onde foi que escondeu a luz dos olhos deles?

Não tenho respostas.

Também não sei onde mora a aurora daqueles que um dia despertaram para a esperança.

Só uma certeza eu tenho: No silencio acelerado do tempo nossos rios vão morrendo.

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