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Publicado em 29/09/20 às 14:23:00

A Cultura do Baru Parte 2

A Cultura do Baru Parte 2
O Fruto do Baru pronto pra retirar castanha e polpa - Foto César Sandri

A HISTÓRIA DA BARUZEIRO

 

A Baruzeiro é uma pequena agroindústria que foi criada recentemente, no final de 2019, para ajudar a consolidar um projeto que se iniciou em 2002, quando os frutos do Cerrado que ela beneficia hoje começaram a ser plantados na fazenda Flores do Ipê, sede da empresa. 

A proposta da Baruzeiro é de resistência ao modelo econômico que visa só o lucro a qualquer custo baseado na monocultura extensiva, no domínio de grandes corporações que controlam os agrotóxicos e remédios, na exploração do meio ambiente e dos trabalhadores.

É um trabalho de importante ação ambiental e social já que a sua produção advém de reflorestamentos, gerando a preservação do ambiente e do patrimônio biológico, bem como empregos e distribuição de renda.

Secagem do Jatobá 

É necessário e urgente a recuperação das florestas, uma das medidas vitais para o restabelecimento do equilíbrio ecológico e ambiental do Planeta. O reflorestamento gera muito mais empregos do que a monocultura, pois o seu processo é mais manual do que mecânico, por isso distribui renda.

Opõe-se aos grandes laboratórios produtores de venenos e remédios porque não usa agrotóxico no cultivo das plantas do cerrado, e o consumo dos frutos produzidos e beneficiados tem se mostrado mais eficiente na cura de doenças do que as caras pílulas de farmácia. A grande quantidade e a diversidade de substâncias bioativas presentes nas plantas do Cerrado vêm sendo comprovadas pela ciência e pelo conhecimento popular.

Vários estudos feitos na Universidade Federal de Goiás (1) demonstraram que o consumo regular e diário de 6 castanhas de Baru reduz os níveis de colesterol ruim no sangue. A Baruzeiro acompanha a UNESP de Sorocaba (2), fornecendo matéria prima para pesquisas que demonstram propriedades antiofídicas do Baru; testes preliminares demonstraram que extratos da planta retardaram o efeito do veneno da Jararaca e da Cascavel. A Universidade Federal do MS estuda atualmente os efeitos da farinha de Jatobá (H.courbaril ) na depressão e ansiedade. (3)

Na cultura popular o conhecimento sobre os benefícios que as plantas do cerrado promovem é vasto. Vários relatos de consumidores da Castanha /Chocolate do Baru e Farinha de Jatobá são sobre melhoras, tais como: dores e febres reumáticas; queda nos níveis de açúcar no sangue; dores na coluna; qualidade do sono; peso corporal, enfim, vários outros benefícios surgem a cada dia.

Moagem da Farinha

Imbuídos nessa proposta começamos os plantios com espécies do cerrado em 2002, numa área de 2 ha, onde foram plantados Baru (Dipteryx allata), Jatobá (D.courbaril), Ipê Roxo (Handroanthus impetiginosus), Pau D’óleo (Copaifera langsdorffii) e Aroeira vermelha (Astronium fraxinifolium) consorciados com café arábica. 

Desde então, todos os anos a fazenda refloresta parte das áreas degradadas, variando de ano para ano.

Mas o que impulsionou o aumento da área reflorestada foi a inclusão da propriedade no Projeto Corredores Parque das Emas – Pantanal. Um dos objetivos do mencionado Projeto é recompor áreas florestais do cerrado, que possibilitem a vivência e a circulação de animais silvestres entre esses dois biomas, além de proteger as águas e a flora do cerrado.

Só nesse projeto a fazenda reflorestou 74 ha, com 80 mil mudas de 19 espécies do cerrado, adaptadas à região. E hoje a área de 494 ha já possui 94,8 ha reflorestados, além da área de reserva legal que soma mais 101 ha de mata nativa preservada e mais 22 ha de reserva permanente, pois na gleba nascem dois córregos, com várias nascentes.

Esses reflorestamentos já começam a dar frutos, como o Baru, o Jatobá e a Mutamba, sendo que os dois primeiros são beneficiados na agroindústria, enquanto a Mutamba está sendo estudada para viabilidade de consumo.

Cuidados com as mudas no reflorestamento

Por enquanto, a Baruzeiro processa os frutos do Baru e Jatobá, colocando 4 produtos no comércio:

  • A Castanha do Baru Torrada
  • O Chocolate do Baru _ que é a farinha do mesocarpo do Baru.  Um produto exclusivo no mercado. 
  • A Farinha da Castanha de Baru
  • Farinha de Jatobá.

Existem vários desafios ainda para viabilizar a cultura dos frutos do cerrado, mas o principal é aumentar a demanda e diminuir o preço dos produtos. Conseguindo um, tem-se o outro automaticamente. Produtos Naturais ainda são elitizados pelo preço que é alto porque o produtor não está organizado para a comercialização, ficando na mão de atravessadores que pagam pouco a ele e encarecem o produto para o consumidor final. Existem até cooperativas de catadores e extrativistas de frutos do cerrado, mas elas muitas vezes são criadas por pessoas de fora da comunidade, que ficam com a maior parte dos lucros.

O plantio de frutos do cerrado, acreditamos, é muito mais viável economicamente do que o desmatamento para o plantio de soja. Um baruzeiro em pé vale mais do que deitado e queimado, pois o que uma só árvore pode produzir de castanha e mesocarpo, monetizando a preço de mercado, equivale ao lucro de 2 ha.  Para tanto, é preciso implantar uma cultura de cultivo e consumo desses maravilhosos frutos.

Plantas de reflorestamento

Para encerrar, utilizamos uma fala do Prof. Dr. Altair Sales Barbosa da Universidade Católica de Goiás, numa de suas palestras: Ele dizia que há 11 mil anos os homens que aqui habitaram o Cerrado Central brasileiro viviam num paraíso, pois aqui tinham água limpa, peixes, caça em abundância e frutas do cerrado com fartura!  Parece que estava tudo pronto e o homem moderno destruiu para refazer mal feito. É mirando na utopia da volta ao Paraíso original que a Baruzeiro caminha.

 

Texto e Fotos por César Sandri

 

 (1) https://jornal.ufg.br/n/75270-estudo-demonstra-que-consumo-de-amendoa-baru-reduz-a -concentracao-de-colesterol-no-sangue

(2)https://bv.fapesp.br/pt/bolsas/77783/dipteryx-alata-vogel-estudos-da-acao-antiofidica-e-de

-toxicidade/

(3)http://redeglobo.globo.com/como-sera/noticia/2015/08/alunos-descobrem-que-jatoba

-pode-auxiliar-no-tratamento-para-depressao.

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