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Publicado em 15/01/21 às 09:29:00

Exposição Fotográfica - Vila Bôa de Goyaz

Exposição Fotográfica - Vila Bôa de Goyaz

Eliane de Castro

Artista visual, fotógrafa e documentarista


Vila Bôa de Goyaz

       Hoje vamos falar daquela que foi nossa primeira Capital, a bela e formosa Cidade de Goiás. Situada na Região do Ouro e Cristais, Goiás foi fundada no início do século XVIII por bandeirantes paulistas em busca de ouro. A região era povoada por índios da nação Goiá, os quais foram extintos primeiro que o tão disputado minério. Foi reconhecida como Patrimônio Histórico e Cultural Mundial pela UNESCO em 2001, “por sua arquitetura barroca peculiar, por suas tradições culturais seculares e pela natureza exuberante que a circunda”.          De fato o antigo Arraial de Sant’Anna (seu primeiro nome), possui uma arquitetura única e até hoje é palco de eventos que atraem turistas de diversas partes do mundo, que vão em busca de história, cultura, tranquilidade e belezas naturais. Para quem se interessa pelos fatos da história do Brasil e do nosso Estado, é uma boa opção conhecer a Vila Boa de Goyaz (seu segundo nome) e sugiro irem preparados para caminhar a pé, sem pressa, pelas suas ruas “ladrilhadas” de pedras centenárias e irregulares no centro histórico da cidade. Observem suas construções coloniais e barrocas, seus desenhos únicos com detalhes em alto relevo das fachadas dos seus prédios seculares construídos por mestres pedreiros, paulistas e portugueses com a ajuda dos escravos. São desenhos únicos e primorosos que realmente fazem sua arquitetura ser peculiar e merecedora do título.

      Na caminhada coloquem no roteiro uma parada no coreto onde poderão saborear picolés nativos e uma das mais saborosas empadas da cidade. Lá se informem sobre onde encontrar os doces caseiros, principalmente as delicadas cocadas em formas de rosas, hummmm... Continuando o passeio, procurem pelos museus espalhados na região central,  vale conhecer as edificações e as histórias preservadas em objetos e ambientes, escritas e contadas pelos atendentes de cada espaço visitado. O Palácio Conde dos Arcos, Quartel do XX, as igrejas, o famoso e raro Chafariz de cauda e a Casa de Cora que se transformou em um interessante museu que mescla história, poesia e tecnologia, são pontos imperdíveis ao visitar a Cidade de Goiás. O Mercado Municipal teve sua arquitetura recentemente reformada e lá você vai encontrar o bolo de arroz e os empadões mais gostosos da culinária goiana. É bom acrescentar no roteiro a parte gastronômica, a comida é simples e deliciosa. Vale a dica: Fiquem atentos aos horários de atendimento dos restaurantes.

       Em dias festivos, a cidade se enche de pessoas vindas de todos os lugares do Estado, do país e do mundo, em busca de apreciar os espetáculos promovidos pelas tradições como a Procissão do Fogaréu, uma manifestação folclórica trazida por um padre português no século XVIII,  com repercussão em nível nacional, que acontece todos os anos durante a Semana Santa; a Festa do Divino, que ainda mantém a tradição dos alfenins (docinhos cristalizados em forma de animais e pássaros distribuídos durante a festa) - eu disse ainda porque sabemos que as mudanças estão vindo a galope e Da. Sílvia, uma moradora vilaboense que mantém a tradição de confeccionar estes docinhos para a Festa durante anos já disse que não tem pessoas mais novas interessadas em continuar esta tradição.  Vamos acompanhar o desfecho desta história.

        Ainda sobre as tradições, o Carnaval costuma ser animado e para quem gosta de música e nostalgia, aproveitem para irem durante a lua cheia para acompanharem um grupo de moradores que se misturam com turistas e mensalmente fazem serenata nas casas, percorrendo a pé as ruas do centro histórico, embalando as noites entoando canções antigas de diversos autores nacionais, entre eles muitos são goianos.

        Sobre os santuários ecológicos, já me referi no texto anterior sobre a milenar Serra Dourada, (que na verdade sua idade está na casa dos bilhões). Pode-se contratar guias locais para subir a ladeira e conhecer paisagens preservadas do nosso Cerrado, o salão de areias, onde a artista plástica Goiandira do Couto buscava areias de diversas cores para fazer suas artes, que se tornaram conhecidas nos quatro cantos do mundo e ainda desfrutar de vistas maravilhosas no meio das rochas e vegetações.

       Tomar um bom e refrescante banho no rio Vermelho que passa dentro da cidade faz parte da programação. Este rio já assombrou algumas vezes os cidadãos com sua fúria provocada pelas enchentes, mas normalmente é tranquilo. Existem outros pontos na região que pode-se deleitar nas águas doces de Goiás com estruturas que oferecem bebidas e alimentação. Se informem desses e outros atrativos que não citei e ainda descubram outros entranhados nos misteriosos becos de Goiás. Se entreguem e se surpreenderão.

        Conheci esta bela e deliciosa cidade quando ela ainda se chamava Goiás Velho. Eram aqueles anos dourados, quando queríamos viver a vida com a velocidade da luz. Foi paixão à primeira “visita”. Sua delicada aura tem um quê de magia perene que até nos dias atuais me faz sentir em um lugar especial, atemporal, encantado.  Todas as vezes que por lá ando, encontro pessoas de diferentes partes do planeta, o que  fortalece a sensação de que, apesar de pequena, estamos dentro de um vasto mundo,  misto de diversas e interessantes histórias, antigas e contemporâneas.

          Sejam bem vindos a Cidade de Goiás e aproveitem o passeio lembrando sempre do conceito de turismo sustentável, aquele que sugere respeitarmos o lugar por onde passamos sem deixarmos rastros.
 

Eliane de Castro nasceu em Goiânia, se  formou no curso de Fotografia da PUC Goiás em 1979. Montou seu primeiro estúdio de fotografia na década de noventa, dando início às atividades fotográficas na área social e jornalística. Entrou no audiovisual em 2010 exercendo variadas funções e como diretora de fotografia produziu em 2014, em parceria com a diretora e roteirista Gisela Maria, o documentário longa metragem “O Divino e Sua Corte”. Em 2019 lançou o projeto fotográfico “Cidades Históricas Goianas” e publicou o volume I - “Goiás: Minha Confissão de Amor” em parceria com o escritor Ademir Hamú, impresso na gráfica e editora Kelps. Ministra workshops de fotografia e na direção da produtora Angico Imagens produz vídeos autorais e institucionais para empresas públicas e privadas. É responsável pelo departamento de comunicação do Instituto Altair Sales, colaboradora da Enciclopédia Virtual do Cerrado, do site  Guia Turístico de Goiás e da revista impressa People Magazine.

“A fotografia tem o poder de ilustrar modos de pensar e ver o mundo gerando conteúdos que atravessa todas as fronteiras, inclusive as do tempo”.

 

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