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Publicado em 25/05/21 às 14:28:00

Saiba mais sobre o Cerrado - Parte VI

Saiba mais sobre o Cerrado - Parte VI
Foto André Monteiro

Os Aquíferos, parte integrante das aulas sobre o Cerrado, por um dos maiores pesquisadores do bioma do mundo.

Prof. Dr. Altair Sales Barbosa

Doutor em Antropologia / Arqueologia e Geociencias
Pesquisador do CNPq

Saiba mais sobre o Cerrado - Parte VI

AQUIFEROS

Outro elemento importante que deve ser considerado como conseqüência da degradação do cerrado, se refere aos aquíferos.

Todos sabemos que o cerrado é a cumeeira da América do Sul , distribuindo águas para as grandes bacias hidrográficas do continente. Isto ocorre, porque na área de abrangência do Cerrado, se situam três grandes aquíferos, responsáveis pela formação e alimentação dos grandes rios do continente: o aquífero Guarani, associado ao arenito Botucatu e a outras formações areníticas, mais antigas, que é responsável pelas águas que alimentam a bacia do Paraná. Os aquíferos Bambuí e Urucuia. O primeiro associado às formações geológicas do Grupo Bambui e o segundo associado à Formação arenítica Urucuia, que em muitos locais está sobreposto ao Bambuí e em certos locais, há até o encontro dos dois aquíferos, apesar de existir entre os dois, uma grande diferença de idade. Os aquíferos Bambuí e Urucuia são responsáveis pela formação e alimentação dos rios que integram a bacia do São Francisco, Tocantins, Araguaia e outras, situadas na abrangência do Cerrado.

Estes aquíferos, que se vem formando durante milhões de anos, de pouco tempo para cá não estão sendo recarregados como deveriam, para sustentar os mananciais. Isto ocorre, porque a recarga dos aquíferos se dá pelas suas bordas nas áreas planas, onde a água pluvial infiltra e é absorvida cerca de 70% pelo sistema radicular da vegetação nativa, alimentando num primeiro momento o lençol freático e lentamente vai abastecendo e se armazenando nos lençóis mais subterrâneos.

Com a ocupação dos chapadões de forma intensa, que trouxe como conseqüência a retirada da cobertura vegetal, sua substituição por vegetações temporárias de raiz subsuperficial, a água da chuva precipita, porém não infiltra o suficiente para reabastecer os aquíferos. Conseqüência, com o passar dos tempos, estes vão diminuindo de nível, provocando num primeiro momento, a migração das nascentes, das partes mais altas, para as mais baixas e a diminuição do volume das águas, até chegar o ponto do desaparecimento total do curso d’água. Convém ressaltar, que este é um processo irreversível.
(continua...)

 

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