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Publicado em 13/07/21 às 14:55:00

Saiba mais sobre o Cerrado - Parte VIII

Saiba mais sobre o Cerrado - Parte VIII
Foto André Monteiro - Inscrições rupestres em Serranópolis

A Ocupação humana, parte integrante das aulas sobre o Cerrado, por um dos maiores pesquisadores do bioma do mundo.

Prof. Dr. Altair Sales Barbosa

Doutor em Antropologia / Arqueologia e Geociencias
Pesquisador do CNPq

Saiba mais sobre o Cerrado - Parte VIII

OCUPAÇÃO HUMANA

As ocupações das coxilhas gaúchas não demonstram nenhum tipo de relacionamento com as ocupações que se instalam imediatamente nos cerrados dos chapadões centrais do Brasil. Pelo contrário, estão mais relacionadas com as ocupações das estepes patagônicas, com processos evolutivos similares e muito diferente dos processos adotados ou desenvolvidos pelas ocupações que formam o Grande Horizonte Cultural dos Cerrados. 

Já as ocupações do vale do Guaporé guardam ligeiras relações tanto com as ocupações das savanas, localizadas mais para oeste e mais antigas, como com as ocupações localizadas nos cerrados do leste, instalados em épocas ligeiramente mais recentes. A indústria lítica demonstra certa transição evidenciada por uma desestruturação, e por uma posterior adaptação exitosa.

Esse esquema explicativo seria perfeitamente compreensível se já não existisse no interior, em ambiente similar, o registro das áreas ocupadas de São Raimundo Nonato e Lagoa Santa. Não tomando em consideração a área de Central, na Bahia, em virtude de as informações serem prematuras. A questão, entretanto, pode ser resolvida por uma das duas formas seguintes:

1- Se a época das ocupações dessas áreas for realmente anterior à ocupação das áreas dos cerrados dos chapadões centrais do Brasil, é possível que as populações que alcançaram São Raimundo Nonato e Lagoa Santa não migraram pelo cerrados dos chapadões centrais, pois seus vestígios não foram encontrados nessa região, ou, se migraram, os vestígios estão mascarados com a indústria que constitui a tradição Itaparica. Quanto à primeira hipótese, apesar da amostragem ser significativa, os espaços não foram esgotados e as escavações não avançaram em profundidade suficiente, portanto ainda não se tem elementos definitivos para confirmá-la, embora a maior parte dos dados direcionem neste sentido. Quanto à segunda hipótese, a análise minuciosa e comparativa do material proveniente de pelo menos três áreas nucleares da tradição Itaparica: Serranópolis e Caiapônia, em Goiás, e Gerais, na Bahia, não a confirma;

2- Se a antiguidade das ocupações de São Raimundo Nonato e Lagoa Santa for anterior às ocupações dos cerrados, e se a migração não se deu por esse ambiente, é possível que as populações atingiram essas áreas por via das caatingas, migrando ao longo das depressões do rio Amazonas pelas duas margens, assentando-se de forma mais duradoura em São Raimundo Nonato e posteriormente em Lagoa Santa , cuja migração efetuou-se pelas caatingas da depressão Sanfranciscana. A inexistência de vestígios entre São Raimundo Nonato e Lagoa Santa, situados nessa faixa cronológica, bem como a inexistência dos mesmos vestígios na depressão amazônica e a falta de cronologias mais antigas no oeste do continente não corroboram essa afirmação.
(continua...)

 

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