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Publicado em 21/06/22 às 15:07:00

O Cerrado é um Hotspot?

O Cerrado é um Hotspot?
Cerrado Strictu Sensu - foto André Monteiro


Professora M.Sc. Débora Irineu

Mestre em Geografia pela Universidade Federal de Goiás

Em uma tradução livre para o português, hotspot significa ponto quente, no entanto, o termo “hotspot” foi elaborado em 1988 pelo ecólogo inglês Norman Myers e faz referência à toda área prioritária para conservação, ou seja, de alta biodiversidade e ameaçada no mais alto grau. É considerada hotspot uma área com pelo menos 1.500 espécies endêmicas (que só existem neste domínio) de plantas e que tenha perdido mais de 3/4 de sua vegetação original.

O Cerrado, também conhecido como a “savana brasileira”, é considerado como a caixa d’água do Brasil. Isto porque é o berço de importantes bacias hidrográficas como do Araguaia/Tocantins, Platina e São Francisco. O seu clima é sazonal, com duas estações bem definidas, um verão chuvoso e um inverno bastante seco. Características essas que as plantas tiveram que contornar com suas estratégias de sobrevivência e talvez, por esse motivo, possua uma alta taxa de endemismo. As espécies tiveram que lidar com a realidade de secas, as quais anualmente são submetidas, e eventuais queimadas que as atingem nesse período. Assim, pode-se ver plantas com adaptações diversas, com o objetivo de acumular e evitar a perda de água e de se proteger do fogo.

Pesquisadores estimam que o Cerrado possui 10 mil espécies de plantas, das quais 4.400 são endêmicas. A fauna é constituída por 837 espécies de aves (29 endêmicas), 194 espécies de mamíferos (19 endêmicos), 185 répteis (24 endêmicos) e 150 anfíbios (45 endêmicos). Estudos apontam que o Cerrado abranja 14.425 espécies de invertebrados. Todos esses números colocam o Cerrado como um dos domínios com maior riqueza de Biodiversidade e um dos maiores em diversidade de espécies endêmicas. Contudo, essa riqueza vem sendo sistematicamente atacada pela forma como a modernização avança pelo Cerrado. Isso justifica os intensos debates por todo o mundo acerca deste domínio, que é, portanto, considerado um hotspot.

O processo de ocupação do Centro-Oeste brasileiro esteve atrelado às políticas públicas que buscavam ampliar a produtividade agrícola do país sem levar em consideração a degradação ambiental da região. Essa postura agressiva, acontece de maneira intensiva desde a década de 1970 e resulta nos dias atuais em índices preocupantes e uma realidade que ameaça a existência do Bioma.

Diante dessa preocupação, os povos cerradeiros, ONG´s e instituições de pesquisas se destacam no esforço de chamar a atenção para essa problemática. Com o objetivo de reunir e possibilitar o acesso fácil e intuitivo a informações confiáveis sobre o bioma Cerrado, além de oferecer dados sobre uso de solo, biodiversidade e socioeconomia, o Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento (LAPIG/UFG), lança a Plataforma de Conhecimento do Cerrado.

A ferramenta permite que pesquisadores de todo o mundo possam colaborar com a plataforma, inserindo dados, mapas, ou informações geoespaciais que irão oferecer conhecimento sólido para subsidiar políticas públicas ou programas de conservação para a preservação do ameaçado bioma Cerrado. Além de permitir o compartilhamento de informações, a plataforma mune a sociedade com uma visão unificada e organizada sobre o bioma, promovendo a conscientização sobre o tema.

Para a Universidade goiana, trata-se de uma visão unificada e organizada do conhecimento acumulado sobre o bioma Cerrado que permitirá um direcionamento mais assertivo de recursos em iniciativas de conservação relevantes e/ou negligenciadas até o momento. Dessa forma, espera-se que esse processo de conscientização promova um engajamento de membros da sociedade civil em ações relacionadas às iniciativas desenvolvidas no Brasil.

Para ter acesso a plataforma, acesse: https://cepf.lapig.iesa.ufg.br

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