Das Matas do Século XVIII ao Maior Paraíso Termal do Mundo: A História de Caldas Novas
A história de Caldas Novas começou no coração do Cerrado goiano, na primeira metade do século XVIII. Em 1722, o garimpeiro e explorador Martinho Coelho de Siqueira, durante uma caçada na região próxima ao Rio Quente e ao Córrego das Lajes, percebeu um comportamento atípico em seus cães de caça: os animais saíram da água ganindo, pois haviam se queimado ao mergulhar nos córregos locais. Ao investigar o local, Martinho descobriu nascentes de águas naturalmente quentes e mineralizadas — o marco inicial do que viria a ser um dos destinos mais visitados do Brasil.
As propriedades medicinais e o efeito relaxante daquelas fontes logo ganharam fama entre os viajantes e garimpeiros que cruzavam Goiás. Em 1838, o fazendeiro Domingos José Ribeiro impulsionou o povoamento da área ao doar terras para a construção de uma capela em honra a Nossa Senhora das Dores, ao redor da qual o vilarejo começou a se estruturar.
O Segredo sob a Terra: Vulcão ou Ciência?
Por muitos anos, um dos mitos mais populares contados aos visitantes era o de que as águas de Caldas Novas eram aquecidas por um vulcão extinto adormecido sob a cidade. A verdade científica, contudo, é um fenômeno geológico igualmente fascinante: a geotermia.
A água que brota nas piscinas térmicas é, na verdade, água da chuva. Ela penetra em grandes fendas na rocha da Serra de Caldas e desce a profundidades superiores a 1.000 metros. À medida que afunda, a temperatura aumenta cerca de 3°C a cada 100 metros devido ao gradiente geotérmico natural da Terra. Aquecida e sob alta pressão, a água retorna à superfície por fraturas geológicas, emergindo em temperaturas que variam entre 37°C e 58°C, rica em sais minerais como cálcio, magnésio e potássio.
Da Vila Pacata à Capital do Turismo Hidrotermal
Em 21 de outubro de 1911, Caldas Novas conquistou sua emancipação política do município de Morrinhos. Nas décadas de 1960 e 1970, o perfil da cidade mudou radicalmente com a chegada dos primeiros empreendimentos hoteleiros de grande porte e a estruturação dos complexos de parques aquáticos.
A transformação do turismo local converteu o município na capital do maior complexo hidrotermal do planeta. O que antes era uma parada de descanso para tropeiros e caçadores tornou-se um polo turístico de padrão internacional, capaz de receber milhões de visitantes todos os anos em busca de lazer, bem-estar e contato com a natureza do Cerrado.